O que tem no celular de Vorcáro? A pergunta que tira o sono da política baiana
Há perguntas que, quando feitas em voz alta, incomodam. E há outras que tiram o sono. A que ecoa hoje nos bastidores da política baiana é simples, direta e perturbadora: o que há no celular de Vorcáro?
Não é exagero dizer que, há mais de um mês, muitos políticos da Bahia dormem mal. O motivo, ao que tudo indica, não é insônia comum, mas o temor do que pode vir à tona. Fala-se em gravações, áudios, registros que, se confirmados, teriam potencial para comprometer uma parcela significativa da política local — sem distinção clara de partidos ou discursos públicos.
O caso ganha ainda mais gravidade quando lembramos que Vorcáro era sócio de Augusto, figura ligada ao comando do CredCesta. E aqui começam os nós que precisam ser desatados: há relações políticas, laços afetivos e proximidade evidente com setores do PT da Bahia, mas também com nomes do PL. Ou seja, não se trata de uma história isolada ou restrita a um campo ideológico específico. O problema, se existir, atravessa siglas, alianças e conveniências.
Diante desse cenário, surge outra pergunta que não quer calar: por que a deputada Roberta Roma não assinou a CPI do Banco Master? Em um momento em que a sociedade clama por esclarecimentos, silêncio e omissão também comunicam — e comunicam muito. Não se trata aqui de condenar previamente ninguém, mas de exigir coerência, transparência e compromisso com o interesse público.
Estamos em ano eleitoral. E a história recente mostra que o eleitor brasileiro, muitas vezes, é chamado a decidir no escuro. Depois da eleição, os mesmos de sempre passam quatro anos tranquilos, administrando volumosas emendas parlamentares — agora rebatizadas de emendas PIX — gastando dinheiro público sem o devido escrutínio, enquanto perguntas fundamentais seguem sem resposta.
É exatamente esse ciclo que precisa ser interrompido. Não podemos repetir o erro de reeleger deputados e deputadas sem antes cobrar explicações claras sobre fatos graves que pairam sobre o cenário político. O caso envolvendo o Banco Master parece amarrar, de vez, muitos nomes influentes da política baiana. E quanto mais o tempo passa sem esclarecimentos, maior é a sensação de que há algo a esconder.
As máscaras tendem a cair. Ou, pelo menos, deveriam. Claro, isso depende também das instâncias superiores do Judiciário e de até onde será permitido que investigações avancem. A sociedade observa, atenta. E a pergunta permanece no ar, cada vez mais incômoda: o que realmente está naquele celular?
Até o dia da eleição, teremos muito o que discutir. E discutir não é atacar — é exercer cidadania. Transparência não é favor; é obrigação. Que venham as respostas. A Bahia, e o Brasil, merecem.